segunda-feira, 8 de agosto de 2016

DESPERTANDO A CONSCIÊNCIA - O demônio do ciúme "O ciúme é o pior dos monstros criado pela imaginação"

O demônio do ciúme



Muitos de nós não consegue imaginar o ciúme não associado ao amor. À primeira vista, parece mesmo que sentir ciúme é uma contingência quase que obrigatória do sentir amor. A bem verdade, todos nós sentimos, não raramente, alguma forma de ciúme por algo ou alguém nas diversas fases de relacionamento pelos quais passamos. Alguns estudiosos da mente humana consideram que este sentimento é universal e inato, proveniente do desejo de exclusividade no amor de determinada pessoa.

De fato, para se caracterizar o estado ou a qualidade do ciúme, é preciso recorrer a uma série de atributos que se inicia por uma profunda e complexa frustração, apoiada em um confuso sentimento de amor não-correspondido, sente-se raiva do rival e da pessoa amada; sente-se medo, angústia e ansiedade perante uma situação que requer uma ação efetiva, mas que, mesmo com ameaças e coações, foge de seu controle, tornando-se impotente.

Como podemos perceber, o ciúme surge de diversas formas. Porém, há sempre em sua origem  alguém sentindo-se inferiorizado, desprezado, desonrado, minimizado, excluído por outro alguém. E mais, em todas essas situações aparece uma característica marcante do ciúme: o imaginário. É na incerteza e na insegurança que, baseado apenas em suposições que o ciúme se instala. Assim como o amor e as questões de fidelidade, o ciúme, a inveja e as traições são elementos que sempre estiveram presentes nas mais remotas histórias bíblicas e mitológicas.

O ciúme, a traição, a vingança e a morte, quase como um em seqüência ao outro, percorre vários textos bíblicos, desde a relação fratricida de Caim e Abel, no Velho Testamento, até a arrependida traição na relação entre Judas e Jesus.

Freud(1976) conderou o ciúme como um daqueles "estados emocionais normais", semelhante ao sentimento de luto descrevendo-o como composto de pesar, de sofrimento causado pela idéia de perda do objeto amado, de ferida no amor-próprio, de sentimento de inimizade contra o rival bem sucedido e de maior ou menor quantidade de autocrítica, na medida em que o ciumento responsabiliza-se pela perda do objeto amado.

Por outro lado, fazia a seguinte observação:

 "Embora possamos chamá-lo de "normal", o ciúme não é, em absoluto, completamente racional, isto é, derivado da situação real, proporcionando às circunstâncias reais e sob o controle do ego consciente; isso por achar-se profundamente enraizado no inconsciente, ser uma continuação das primeiras manifestações da vida emocional da criança e originar-se no Complexo de Édipo ou de irmão-e-irmã do primeiro período sexual.

Além do mais, é digno de nota que, em certas pessoas, ele é experimentado bissexualmente, isto é, um homem não apenas sofrerá pela mulher que ama e odiará o homem seu rival, mas também sentirá pesar pelo homem a quem ama inconscientemente, e ódio pela mulher como sua rival.

O ciúme é muitas vezes uma manifestação atrapalhada de vários elementos reprimidos no inconsciente, que vão desde uma baixa auto-estima até o sentimento de culpa por ter feito algo errado para o outro, passando por inúmeras possibilidades de transformação.
A projeção é um dos mecanismos de defesa do ego, no qual a pessoa acaba atribuindo a uma outra pessoa uma característica, intenção, desejo, enfim, um sentimento ou pensamento que na verdade é dela mesma.

Na projeção, nós não nos damos conta de que a característica atribuída ao outro é nossa, pois o próprio conceito de mecanismo de defesa inclui o de que o processo ocorre no inconsciente, devido à repressão para evitar o sofrimento pelo conflito.
No deslocamento, outro mecanismo de defesa, assim como na projeção, colocamos para "fora" de nós algo que não nos agrada.

Outro mecanismo de defesa do ego é a chamada racionalização, nossa parte racional arruma uma desculpa, uma explicação, verdadeira ou não, com o intuito de simplesmente encobrir o fracasso, a frustração.

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Na questão do ciúme relacionado a inveja Melaine Klein(1975) diz que:"A inveja é o sentimento raivoso de que outra pessoa possui e desfruta algo desejável, sendo o impulso invejoso o de tirar este algo ou de estragá-lo. Além disto a inveja pressupõe a relação de um indivíduo com uma só pessoa e remonta a mais arcaica e exclusiva relação com a mãe.

O ciúme é baseado na inveja, mas envolve uma relação com pelo menos duas pessoas; diz respeito principalmente ao amor que o indivíduo sente como lhe sendo devido e que lhe foi tirado, ou está em perigo de sê-lo, por seu rival".
Sentir ciúme no lugar da inveja nada mais é do que uma formação reativa. Essa formação reativa é um mecanismo de defesa que leva ao consciente um sentimento mais aceitável do que o realmente sentido, que, por sua vez fica reprimido no inconsciente.

A formação reativa faz com que apareça, no consciente, a percepção exatamente contrária ao verdadeiro sentimento, que, por ser avaliado como inadequado, deve permanecer reprimido.

São tantas as manifestações de ciúme por pessoas, e mesmo por objetos, que fica muito difícil compreender a origem dessas situações. Além disso, cada pessoa sente de um modo diferente, manifesta de uma forma peculiar, vivencia do seu próprio jeito. Para alguns, no entanto, esse sentimento acaba tomando proporções que fogem ao que podemos considerar "normal".

Algumas pessoas são mais ciumentas do que as outras, é verdade, mas há situações em que essa simples conceituação quantitativa do sentir começa a mostrar que, numa determinada pessoa, o ciúme foge totalmente do seu controle, tomando uma porção considerável de sua vida, senão toda ela.
Freud(1977) caracterizou o ciúme em três categorias diferentes:

A primeira, que pertence ao plano do ciúme normal, tem sua origem em diversos mecanismos inconscientes, os quais visam proteger a pessoa de um sentimento maior de angústia. Uma segunda categoria , que já poderia passar como neurótica, está lastreada na vivência universal do triângulo edipiano e em suas implicações na competitividade que nasce no indivíduo ao ter que disputar o amor da mãe com o pai, ou, no caso das meninas, do pai com a mãe.

A terceira categoria, aparece o ciúme paranóide, a sua forma mais maligna e delirante, na qual a pessoa tem absoluta certeza de que é traída, mesmo que as evidências mostrem o contrário.
Sob o ponto de vista exclusivamente médico, o ciúme pode aparecer como manifestação de algumas doenças que comprometem o psiquismo humano. É importante que o cônjuge, os amigos e os familiares de uma pessoa que apresente sinais claros de ciúme exagerado estejam atentos para outros sinais que possam significar um quadro psiquiátrico grave.

O quadro clínico completo também apresenta um certo alheamento dos acontecimentos importantes a sua volta, uma concentração obsessiva na idéia delirante e, as vezes até alterações dos sentidos, as chamadas "alucinações", em que a pessoa vê coisas que não estão lá, ouve vozes, sente cheiros. São quadros importantes que, quanto mais cedo se iniciar o tratamento psiquiátrico ou psicoterapêutico, maior é a possibilidade de se obter resultados satisfatórios de melhora e cura.



O ciúme surge de forma esporádica, como um sentimento natural diante de um determinado acontecimento, ele é constante em nossa vida, aparecendo de formas muitas vezes inconscientes, das quais não sabemos por que o estamos sentindo. Há ainda os casos em que o ciúme se torna patológico, doentio, tornando-se uma obsessão descontrolada. Traz para quem sente sentimentos negativos como o da perda e para o ciumado um sofrimento ainda maior.
Enfim, todos nós alguma vez na vida já sentimos ciúme de algo ou alguém, porém é preciso ficar atento às excessivas crises de ciúme que vão além da normalidade.

"O ciúme é o pior dos monstros criado pela imaginação" Pedro Calderon de La Braca

Ciúmes


Ciúme é comparação. E fomos ensinados a comparar, fomos condicionados a comparar, comparar sempre. Alguém possui uma casa melhor, alguém tem um corpo mais bonito, alguém tem mais dinheiro, alguém possui uma personalidade mais carismática. Compare, continue comparando a si mesmo com todo mundo que você encontrar, e o resultado será um grande ciúme; esse é o sub produto do condicionamento da comparação.

De outra maneira, se você deixa de comparar, o ciúme desaparece. Assim você simplesmente sabe que você é você e ninguém mais, e que não há nenhuma necessidade de ser outro alguém. É bom que você não se compare com as árvores, senão você começaria a se sentir muito ciumento: porque você não é verde? E porque Deus tem sido tão duro com você - e nenhuma flor? É melhor você não se comparar com os pássaros, com os rios, com as montanhas; do contrário você irá sofrer. Você só se compara com os seres humanos, porque você foi condicionado a só se comparar com os seres humanos; você não se compara com os pavões e com os papagaios. 

Senão seu ciúme seria bem maior; você estaria tão sobrecarregado de ciúmes que você não seria capaz de viver de maneira nenhuma.

A comparação é uma atitude muito tola, porque cada pessoa é única e incomparável. Uma vez que esse entendimento se estabelece em você, o ciúme desaparece. Cada um é único e incomparável. Você é apenas você mesmo: ninguém nunca foi como você e ninguém nunca será como você. E você também não precisa ser nenhum outro.




Deus cria somente originais; ele não acredita em cópias carbono.
Na porta do vizinho grandes coisas estão acontecendo: a grama é mais verde, as rosas são mais rosadas. Todo mundo parece estar tão feliz – exceto você. Você está continuamente comparando. E a mesma coisa está acontecendo com os outros, eles também estão comparando. Talvez eles também achem que seu gramado é mais verde – sempre parece mais verde à distância – que você tem uma esposa mais bonita... Você está cansado, você não pode acreditar como você permitiu se envolver com essa mulher, você não sabe como se livrar dela – e o vizinho pode estar com ciúmes de você, que você tem uma mulher tão bonita! E você pode estar com ciúmes dele...
Todo mundo tem ciúmes de todo mundo. E com ciúmes criamos um tal inferno, e com ciúmes nos tornamos muito medíocres.

Devido ao ciúme você está em constante sofrimento; você torna-se medíocre para os outros. E por causa do ciúme você começa a ficar falso, porque você começa a fingir. Você começa a fingir coisas que você não possui, você começa a fingir coisas as quais você não pode ter, que não são naturais a você. Você se torna cada vez mais artificial. Imitando os outros, competindo com os outros, que mais você pode fazer? Se alguém tem alguma coisa e você não tem, e você não tem a possibilidade natural de ter isso, o único jeito é arranjar algum substituto barato para isso.

O homem ciumento vive no inferno. Pare de comparar e os ciúmes desaparecem, a mediocridade desaparece, a falsidade desaparece. Mas você só pode deixá-los se seus tesouros íntimos começarem a crescer; não existe outra maneira.

Cresça, torne-se um individuo mais e mais autêntico. Ame e respeite a si mesmo do jeito que Deus lhe fez e então, imediatamente, as portas do paraíso se abrem para você. Elas sempre estiveram abertas, você simplesmente nunca deu atenção a elas.

Osho


Michele Valeska Méndez

BIBLIOGRAFIA: SANTOS, Ferreira Eduardo .Ciúme o medo da perda. São Paulo, Ática,1996.