domingo, 3 de agosto de 2014

DESPERTANDO O CONHECIMENTO - Oroboro - A serpente mordendo a cauda

Oroboro - A serpente mordendo a cauda




Oroboro: palavra grega significando, literalmente, "morder a cauda". É um símbolo antiquíssimo, figurado por uma Serpente mordendo a Cauda. 
"O símbolo do círculo, formado pela serpente com a cauda na boca, é o da eternidade, o do universo sem principio nem fim, completo, sapiente."

Oroboro, do simbolismo alquímico, presente milenarmente em diversas culturas, é a da cobra (ou dragão) que morde a própria cauda e opera, num movimento circular e contínuo, todo o processo dinâmico e transformador da vida. 
“Meu fim é meu começo”, diz a serpente nesse ato mágico de devorar-se e cuspir-se, a representar a unidade indiferenciada da vida e seu caráter divino implícito na perfeição do círculo.

É um símbolo com mais de 3.000 anos, e que regularmente retorna à nossa consciência coletiva, pelas mais diversas formas.
O Oroboro aparece pela primeira vez no Antigo Egito, onde representa o retorno de Rá (encarnado no Sol) ao ponto de partida, depois de cruzar o céu e o submundo. Daí viaja para a Fenícia, e depois para a Grécia onde recebe o nome hoje conhecido (Oroboro) e que significa aquele que devora a própria cauda, e onde é um símbolo da morte e do renascimento.

À serpente devorando a própria cauda, os alquimistas chamaram Oroboro. Tal palavra não consta da maioria dos dicionários e, em alguns livros da Grande Obra, aparece grafada como Ouroboros, principalmente na língua inglesa.

Outras fontes, menos comumente, escrevem-na Uróboro. O termo Oroboro, é oportuno em nossa língua, pois nomeou-se um símbolo cuja singularidade é a de não ter começo nem fim.
É uma palavra muito especial, que pode ser lida de trás para a frente, sem perder sequer a sua pronúncia. Transmite a idéia de algo que se expressa ciclicamente.

Etimologicamente, o termo tem curiosa explicação:
*óros, em grego, significa “termo, limite”, podendo ser também “meta, regra ou definição”; *borós se traduz por boca, ou voracidade.
Oroboro, então, representa aquilo que se delimita ou se atinge pela boca, e também aquilo que se define por sua própria função.
Órobos, em grego, ainda significa “planta”, mais especificamente a alfarroba (fruto da alfarrobeira), uma vagem de polpa doce e nutritiva indicada no tratamento das doenças inflamatórias digestivas.

O dicionário Aurélio traz para órobo o significado de “cola”, palavra que, além de se referir a outro tipo de árvore (a Cola acuminata), também pode significar “cauda”, conforme certos regionalismos do Brasil.
O mesmo termo é igualmente encontrado na língua espanhola a designar o rabo dos animais. Para orobó (só muda o acento), o Aurélio reserva o sinônimo coleira, em nova referência à aromática árvore acima citada, cujas sementes guardam extrato lenhoso de propriedades estimulantes, semelhantes à cafeína.

Coincidentemente, coleira é o nome dado ao colar que cinge o pescoço dos animais, e o Oroboro lembra sua forma. Além disso, nossas vísceras intestinais assemelham-se à serpente enrolada, e o aparelho digestivo como um todo (se tomado da boca ao ânus) bem desenha a serpente aprumada, prestes a dar seu bote, a devorar sua presa.
Está relacionado com o Tempo, representando o Eterno e o Ciclo das Eras. Na alquimia é símbolo da transmutação da matéria, e sinal de purificação.
Para os Gnóticos, representa a auto-sustentação da natureza, que se recria da própria destruição. Pode ser também visto como símbolo de unidade e interdependência. É por vezes representada como uma serpente enrolada sobre si própria, formando um cilindro.
Oroboro, também é normalmente visto como um símbolo do infinito, do número zero, do eterno retorno, da descida do espírito ao mundo físico e o seu regresso ao mundo espiritual. 


Às vezes,a serpente é representada metade branca e metade negra, sendo dessa forma utilizada como representação do Yin/Yang: dia e noite; masculino e feminino.