terça-feira, 21 de março de 2017

EQUILÍBRIO E HARMONIA - Sexo, energia sexual e práticas espirituais, segundo a Medicina Tradicional Chinesa - Cuidado com a energia sexual...

EQUILÍBRIO E HARMONIA - Sexo, energia sexual e práticas espirituais, segundo a Medicina Tradicional Chinesa

Sexo, energia sexual e práticas espirituais, segundo a Medicina Tradicional Chinesa




O sexo é um tema visto com muito preconceito, e todo mundo acha que sabe de tudo, sendo que não sabem nem da metade do assunto.

A maioria das religiões abominam a expressão livre da sexualidade, sendo que deve ser feito apenas nas "condições certas", e se possível, com o mínimo de prazer.

A ciência convencional diz que o sexo faz bem para a saúde, e que deve ser feito frequentemente, desde que haja precaução com doenças sexualmente transmissíveis.

Já a MTC (medicina tradicional chinesa) tem uma outra visão sobre o assunto, que ao meu ver, une as duas preocupações: a da ciência e da religião, e dá uma nova visão, mais ampla, mais prática, e muito mais interessante.

Ah, só um detalhe: a MTC entra de acordo com o que é ensinado nas antigas tradições de Yoga, porém com outros nomes, e alguns detalhes, mas em geral, a essência do ensinamento é a mesma.

Em primeiro lugar, é preciso entender que a MTC lida com a teoria das energias opostas, yin yang. Resumindo, são termos de comparação. Tudo que é yin é mais frio, mais parado, mais denso, mais úmido. Representa o feminino, o negativo, a noite, o subsolo e a água. E tudo que é yang é mais quente, mais agitado, mais rarefeito, mais seco. Representa o masculino, o positivo, o dia, o céu e o fogo.

É por isso que homem e a mulher são diferentes entre si, principalmente no que diz respeito à sexualidade.

O homem é yang, e a mulher, yin, por natureza. Não significa que não se possam ter mulheres yang, e homens yin, mesmo sendo heterossexuais. Podem existir, e existem, mas são a exceção.

O que isso implica?

Na atividade sexual, o homem é mais quente, e mais rápido por natureza. É ele que age, que domina, que introduz, e ele que determina o tempo de duração.

A mulher, por outro lado, é mais fria, e mais lenta. Ela cede, recebe e acompanha o ritmo do parceiro.

Até aqui tudo bem, é óbvio até. Em termos de reprodução, se isso estiver assim, a coisa funciona muito bem.

Entretanto, o ser humano tem a capacidade de poder fazer sexo apenas por prazer e diversão. Neste caso, fazer sexo da forma normal, não é bom, é algo que pode prejudicar ambos os lados.

Por quê?

Existe um tipo de qi (ou chi, energia vital) chamada de jing, que nada mais é do que a energia essencial, ou essência, de um indivíduo. Esta essência é como uma reserva de energia, combinando a energia ancestral (herdada dos pais) com a energia acumulada do ar e dos alimentos. É uma energia muito preciosa, que demora para ser fabricada. Uma pessoa sem jing, fica fraca, com baixa imunidade, sem vontade, falta de memória, pensamento lento, e baixa vitalidade em geral.

E como se perde o jing? 

Para ambos, homens e mulheres, o jing é perdido quando há sangramentos, infecções com febre, e retirada de órgãos e partes do corpo.

Para as mulheres, o jing é perdido um pouco na menstruação, e muito na concepção de um filho. É por isso que mulheres sem jing ficam depressivas no pós-parto, e a maioria das mulheres saudáveis fica com uma aparência um pouco envelhecida depois que têm filhos. Mas com o tempo, essa essência volta ao normal, até o limite estabelecido pelo jing inato, herdado dos pais.

Para os homens, o jing é gasto no momento da ejaculação. É por isso que o homem não consegue ter muitas ejaculações seguidas, e logo em seguida, fica com sono e sem vontade para nada. Um homem que gasta muito seu jing dessa forma, acaba tendo problemas de memória, fica mais lento, menos inteligente, menos sagaz.

Em termos espirituais, uma pessoa sem jing é uma pessoa que está cada vez mais distante da energia superior (Deus, ou o que quer que acredite). O segredo de todas as religiões é este: preservar o jing para ficar mais perto da divindade. É por isso que é um tema tão controverso nas religiões. O próprio propósito das religiões é este: religare, ou se religar, reconectar, com algo superior. E uma pessoa sem jing não consegue ter energia e saúde suficiente para se religar.

Até agora, deu para entender que o sexo pode ser algo ruim, no caso dos homens... mas e as mulheres?

A maioria das mulheres (70%) não têm orgasmos durante a atividade sexual, e muitas nunca tiveram, mesmo tendo feito sexo. Isso, ao meu ver, é em parte, culpa da cultura, onde a mulher é desencorajada a se expressar sexualmente, com a ideia de que isso é coisa feia, que é errado se masturbar e se explorar.
Mas também é algo que naturalmente ocorre com as mulheres: elas são yin, elas demoram para "esquentar", e geralmente precisam de algum homem bem "quente", para fazer ferver suas energias até atingir o clímax.

Quando uma mulher tem orgasmos, ela não gasta energia nenhuma (a não ser os líquidos ejaculatórios que algumas mulheres têm quando são excitadas). O jing da mulher estará preservado. É por isso que a mulher pode ter orgasmos múltiplos: um seguido do outro, por muitas e muitas vezes, sem se desgastar.

O que acontece no orgasmo feminino (e no masculino também) é que o qi, ou energia vital, apenas se move e se espalha, fluindo e relaxando a musculatura e a tensão, promovendo uma espécie de prazer e relaxamento que dificilmente é produzido por outras formas que não sexuais.

No momento do orgasmo, a energia fica mais yang, e isso ajuda os processos corporais e mentais a funcionarem melhor, e é por isso que a ciência incentiva a prática sexual.

Quando a mulher faz sexo normal, e o homem é muito rápido, ela não tem tempo de atingir o orgasmo, e as energias dela ficam mais estagnadas do que antes, gerando uma sensação de frustração, e posteriormente, uma ansiedade e até nervosismo, entre outros problemas psicológicos. Entendeu porque as mulheres são tão ansiosas e tensas?

Então, o segredo de uma prática sexual equilibrada, sem visar a reprodução, e sim a harmonia, prazer e saúde, seria o homem buscar ser mais yin, no sentido de ser mais calmo, demorar mais na atividade, e de preferência ter um orgasmo não-ejaculatório (sim, isso é possível). E a mulher, ser mais quente, mais fluida, mais intensa e participativa, tendo quantos orgasmos for capaz de ter.

Ficou curioso como é que se faz para ter um orgasmo não-ejaculatório?

Leia o livro: O Orgasmo Múltiplo do Homem - Os Segredos do Prazer Prolongado, de Douglas Abrams & Mantak Chia.

Cuidado com a energia sexual... 

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"Energia sexual é energia criativa que move a vida, nossas vontades e desejos" (Carl Gustav Jung)

O objetivo desse artigo não é julgar moralmente o praticante do sexo casual ou adeptos das demais modalidades sexuais ditas não "convencionais", mas resgatar do milenar ensinamento filosófico-religioso taoísta da China antiga, do também milenar conhecimento tântrico indiano e do secular espiritismo, algumas informações e tópicos que sejam compatíveis com o tema escolhido para o texto. É o que veremos a seguir.

O sexo, admirável fonte de felicidade e prazer, devido ao fácil apego que gera, sempre foi causa também de sofrimentos e deturpações. Prostituição e exploração sexual existem desde tempos imemoriais, mas atualmente adquiriram uma dimensão tal que o sexo, associado à propaganda, estimulado pela mídia e incentivado como uma maneira de viver, desviou-se totalmente da fonte de alegria e prazer que sempre foi.

A banalização do sexo veio como consequência da banalização do amor. Não deveria haver problemas ou proibições religiosas, exigências de celibato ou cobranças de fidelidade, mas como se perdeu a noção do que seja o amor e esse foi substituído pelo apego, gerando ciúmes, vinganças e desejos irrefreados de repetição do prazer sexual, o sexo acabou se tornando um problema a ser enfrentado e combatido.

SEXO, PERMUTA DE ENERGIAS

Sempre que corpos se unem num beijo, num abraço ou até num simples toque, ocorre uma troca de energias. Se a união é sensual, num beijo ou num ato sexual, a liberação energético-informativa hormonal que ocorre, estimula todas as células do corpo e torna a transferência energética muito mais intensa.

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 A relação sexual é uma troca íntima de fluidos vitais, hormônios e energia sutil. O clímax, no orgasmo, é o ápice na formação de um vínculo energético entre os parceiros. Cria-se, então, uma memória energética celular comum, um evento que liga permanentemente os dois parceiros.

Desse ponto de vista não há sexo seguro, pois sempre há troca e vínculo energéticos que fazem com que o(a) parceiro(a) permaneça em nós. Dessa forma, como dentro da experiência sexual há uma troca química, hormonal e energética profunda, se o ato sexual é efetuado com pessoas fora de sintonia com a nossa frequência pessoal, todo o "lixo" daquela pessoa virá para desarmonizar a nossa vibração.

SEXO E AMOR 
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Toda vez que determinada pessoa convida outra à comunhão sexual ou aceita de alguém um apelo nesse sentido, em bases de afinidade e confiança, estabelece-se entre ambas um circuito de forças, pelo qual a dupla se alimenta psiquicamente de energias espirituais em regime de reciprocidade. Podemos questionar: Sem amor, por que querer nos ligar a alguém que pouco ou nada conhecemos?

O verdadeiro amor não é possessivo e não busca incessantemente o sexo, pois por si só já é desapegado e fonte inesgotável de prazer. Porém, atualmente, quando se fala de amor, fala-se de satisfação de carências do ego. Ama-se com o cérebro e não com o coração.

Ser atraente sexualmente e "livre" é a moda atual e vive-se em busca de valores sensoriais. Na falta de uma maneira mais profunda de se viver, mergulha-se no prazer dos sentidos como uma fuga, e o sexo é o maior desses prazeres. A sexualidade que deveria ser uma ponte em níveis mais elevados de consciência, perde-se no instinto e no apego sensorial, e erra o alvo correto que deveria ser a espiritualidade e a ligação espiritual/amorosa entre dois seres.

SEXO E (AUTO)RESPONSABILIDADE
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Se não dominarmos nossos impulsos sexuais, poderemos ser prejudicados pelas amarras cármicas por onde fluem sentimentos entre as pessoas conectadas pelas relações sexuais. Por exemplo, se dormirmos com uma pessoa mal humorada, com crises de depressão, ou com muita raiva, passamos a vivenciar essas pesadas emoções de nosso(a) parceiro(a). Muitas vezes, inclusive, começamos a apresentar o mesmo comportamento daquele(a)...

Seria mais inteligente de nossa parte escolher com cuidado nossos(as) parceiros(as). O estado emocional que experenciarmos na hora da relação, será o que iremos implantar em nossos(as) companheiros(as). Antes de nos envolvermos com alguém, devemos ponderar amorosamente o que isso vai gerar na outra pessoa e em nós mesmos. Por isso, conhecer o caráter dessa pessoa, torna-se importante em toda relação de entrega íntima.

Sexo é espírito e vida a serviço da felicidade e da harmonia do universo. Consequentemente, reclama responsabilidade e discernimento, onde e quando se expresse. Por isso mesmo, o indivíduo precisa e deve saber o que fazer com com a sua energia sexual, observando como, com quem e para quem se utiliza de tais recursos, entendendo-se que todos os compromissos na vida sexual estão igualmente subordinados à Lei de Causa e Efeito; e, segundo esse exato princípio, de tudo o que dermos a outrem no mundo afetivo, outrem também nos dará. "

Autor:Flavio Bastos