quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

DESPERTANDO O CONHECIMENTO - A EXPERIÊNCIA MÍSTICA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS E SEUS COMPANHEIROS - A NATUREZA DA EXPERIÊNCIA MÍSTICA

A EXPERIÊNCIA MÍSTICA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS E SEUS COMPANHEIROS


Muita das vezes o envólucro da desinformação e do preconceito nos impede de olhar para personagens do passado e enxergar o mover de Deus na vida dos mesmos. Pois bem, no que depender de mim quero quebrar esta casca e receber o legado espiritual que homens e mulheres de Deus têm para me passar. Um deles é Francisco de Assis. Esta breve história sobre a vida deste homem simples e profundamente apaixonado por Cristo. extraí do livro “Rios de Água Viva” de Richard Foster – Ed. Vida. pgs. 151-152. Espero que edifique a todos.
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Paz e Bem!
“Bem, em primeiro lugar, por causa do admirável poder do Espírito que permeava tudo o que Francisco fazia e dizia. Talvez uma única história já seja suficiente. Clara, que a essa altura já havia fundado a “Segunda Ordem” dos franciscanos, as “Clarissas pobres”, pedia constantemente a oportunidade de ter uma refeição com Francisco, mas ele nunca atendia a seu pedido. Finalmente, alguns irmãos insistiram com ele para que concordasse e disseram: ‘Pai, parece-nos que essa severidade não está de acordo com a caridade divina […] principalmente se considerarmos que ela abriu mão das riquezas e da pompa deste mundo por causa da sua pregação’. Francisco acabou se convencendo, e marcou-se um encontro na igrejinha de Santa Maria dos Anjos. Francisco tinha uma refeição preparada e servida no chão, como era seu costume.
Encontrando-se na hora marcada, ‘São Francisco e Santa Clara sentaram-se juntos, ele, com um de seus acompanhantes, e ela, com uma acompanhante dela, e todos os demais acompanhantes reunidos ao redor da humilde mesa’. Quando comiam, Francisco ‘começou a falar sobre Deus de forma tão doce, santa, profunda, divina e maravilhosa que ele próprio, junto com Santa Clara , sua companheira, e todos os outros acompanhantes deles naquela pobre mesa foram arrebatados em Deus’.
Enquanto isso, o povo de Assis se horrorizava ao ver a distância a igreja de Santa Maria dos Anjos e toda a floresta que a cercava envolvida em chamas. As pessoas subiram correndo a colina, na esperança de apagar as chamas antes que tudo se perdesse.
Quando, porém, chegaram à pequena igreja, não acharam nada errado. Nem a igreja nem a floresta estavam em chamas. Nada. Ao entrar na igreja, descobriram Francisco, Clara e os demais ‘sentados ao redor daquela mesa muito humilde, arrebatados em Deus pela contemplação e investidos de poder do alto’.
Então compreenderam que o fogo que viram não era um fogo material, mas espiritual. As chamas que viram eram ‘para simbolizar o fogo do amor divino que queimava na alma’ daqueles servos simples de Cristo.
O resultado desse acontecimento extraordinário foi que o povo de Assis voltou para casa ‘com grande consolação na alma e com santa edificação”.
A MÍSTICA DA UNIÃO CÓSMICA – O Cântico das Criaturas
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A alma canta com uma espontaneidade, com o candor e o calor da língua materna. Esse canto parece quase um hino pagão. Não se fala de Cristo, nem do mistério Trinitário, nem do mundo sobrenatural, nem do Reino. As realidades materiais são evocadas e cantadas. Contudo, se olharmos bem, se olharmos mais profundamente as coisas materiais, além de serem coisas são a língua e o instrumento expressivos de uma experiência religiosa profunda acontecida no coração de São Francisco. Os elementos cósmicos são celebrados como símbolos do mundo interior. Não se trata  de um discurso poético-religioso sobre as coisas. As coisas aparecem como um invólucro de um discurso mais profundo. Essa leitura simbólica do hino nos faz penetrar na experiência religiosa de São Francisco. Não se trata de alegorizarmos os elementos. O sol fica sol, a lua fica lua, a água, água. Mas além de um valor objetivo possuem um valor simbólico. O Santo exprime através destes elementos o seu mundo interior.
É uma afirmação serena da fraternidade universal. Tudo é claro, luminoso e imediato.
3. Os elementos referidos por Francisco e pelos quais canta o Criador não são simplesmente elementos. Ele os qualifica, dá-lhes adjetivos que expressam a vivência interior que possuía. O sol é radiante e com grande esplendor. O fogo é radiante e robusto, forte e jucundo; água é humilde, preciosa e casta e assim por diante. Esses adjetivos qualificam os elementos. Mais que os elementos qualificam a alma. Nem sempre é verdade que o sol é radiante e de grande esplendor. Ele pode queimar e matar as plantações. Nem sempre a água é humilde, preciosa e casta. A água convulsa do oceano pode matar. A água poluída pode  contaminar. O fogo pode queimar e seus danos são irreparáveis.
Imagem: Cena do filme "Irmão Sol Irmã Lua" 

A NATUREZA DA EXPERIÊNCIA MÍSTICA


 

Como uma ampulheta que permite que a areia se mova em duas direções, dependendo de qual bulbo está acima e qual está abaixo, assim também Deus pretende que a alma humana tenha a possibilidade de se mover em duas direções – em direção à unidade com Tudo O Que É, fundida em um universo infinito de Luz, e em direção à existência individual, como um ser distinto, um ponto dentro deste infinito universo.

Como a areia que flui de um bulbo da ampulheta para o outro, assim também, a consciência é capaz de fluir para um espaço além dos limites da percepção comum – além dos limites, nomes, definições e distinções, em um reservatório de luz, no qual há somente o Um – e deste para outro espaço, quando as condições o justifiquem, onde nos tornamos únicos, uma única gota da luz infinita.

Porque ambas as potencialidades existam na consciência humana, o que chamamos de “experiência mística” é, em todas as suas muitas variações, tanto uma profunda experiência da Unidade, mas também simplesmente uma parte do que significa ser humano. Pois é parte da perfectibilidade (a capacidade que o homem possui de aperfeiçoar-se) da consciência humana de se conhecer como Um com tudo o que a rodeia, enquanto ao mesmo tempo, ser capaz de existir como um ser a fim de agir, criar, viver, respirar e trazer esta consciência à forma.

Um dia, o que separamos algo que chamamos de “místico” e algo que chamamos de “comum”, não será mais. O místico não terá um nome, e especialmente, não um nome que o distinga do comum. Neste dia, a potencialidade humana terá evoluído o suficiente para unir a distância entre o infinito e o finito, entre o invisível e a realidade tangível da vida na forma. Portanto, o que é místico será simplesmente “o que é” e toda a vida física parecerá como uma polaridade dentro de uma mudança de consciência que se move para trás e para frente, entre pólos de consciência – ora se fundindo e perdendo os limites, ora se manifestando para se mover, falar, gesticular e agir.

No presente, entretanto, estamos ainda nos aproximando desta realidade. Estamos aprendendo a existir dentro do invisível – ocuparmos o nosso espaço dentro dele, como plenos participantes em um mundo cujas definições mudaram e dentro do qual não podemos operar com as nossas mentes, como o navegador principal. Neste mundo, estamos ainda nos acostumando a confiar em nossa intuição, e o mais importante, a confiarmos na intuição e na inteligência Divina, que nos levam através das experiências que são tanto formativas, quanto expansivas.

Um grande volume de aprendizagem está em deixar ir o velho e de vir a compreender a diferença entre nos sentirmos como parte de algo, e estarmos em frente de algo enquanto o observamos. Esta é a distinção fundamental na nova percepção – que nós não vemos mais com os olhos de um observador, mas sim que permitimos um compromisso com a realidade que é mais íntima – aquela em que perdemos o sentido da separação e ganhamos a possibilidade de experienciarmos a vida de uma forma expandida.

Quando chegamos nesta nova percepção, seja através da meditação, da sintonia ou pela luz do amor e da graça, subitamente, não somos mais testemunhas. Em vez disto, estamos dentro do outro, em harmonia com eles, e não há ninguém para observar. Há apenas experienciar. Há apenas ser.

Deste modo, a abertura da sensibilidade mística nos permite conhecer a Beleza que está no centro da Criação. Não pensamos sobre isto. Nós nos tornamos isto. Ganhamos a entrada em um mundo do sagrado e do divino, no qual a beleza é tudo o que há. Este grande dom da percepção expandida, esta nova consciência que se revela, surge repentinamente de dentro de nós porque ela sempre esteve lá. Embora no passado a sua presença interior possa ter sido descoberta por somente alguns iluminados, agora, neste momento de luz intensa, ela se tornou o caminho para uma maior Vida para muitos.

Pois, algum dia, muitos saberão que estas coisas não podem ser colocadas em palavras e compreenderão que elas são as coisas mais importantes que somos capazes de experienciar. Este momento não chegou ainda, mas está no horizonte. Estamos nos movendo para ele e ele está se movendo para nós – o início de um mundo novo e sagrado, revelado – o início de uma nova vida para os habitantes da Terra.