quinta-feira, 3 de março de 2016

DESPERTANDO A CONSCIÊNCIA - Vícios emocionais e de relacionamentos, como lidar com eles?

Vícios emocionais e  de relacionamentos



"Muitas pessoas são viciadas em emoções negativas. Não tendo nenhuma inspiração em suas vidas, elas vivem em suas cabeças, remoendo as coisas e sentindo-se mal durante todo o dia. Você é uma dessas pessoas? Eu sei que eu era, e alguns dias, eu ainda sou.

Eu acho que para muitas pessoas, é assim que os vícios externos começam a florescer - eles vêm do vício em emoções internas. Aqui está um cenário:

Você é solteiro, mas você realmente quer uma namorada ou namorado porque se sente solitário. Você não gosta do seu trabalho, ou você odeia sua universidade, ou você simplesmente não vê o ponto da rotina diária que se força a passar. Então, quando você está de volta em casa, sozinho, você executa as coisas em sua mente. Todas as situações negativas dos últimos dias, meses ou mesmo anos. O que não fez, o que você fez de errado, o que você deveria ter feito, etc ... Assim você cria estresse, ansiedade e / ou depressão em si mesmo, apenas pelo pensamento.

Depois de algum tempo, você se torna viciado nessas emoções negativas. Não parece lógico que alguém possa ser viciado em emoções negativas, mas acontece. Eu tenho a sensação de que quando as pessoas se sentem vazias por dentro, quando estão faltando as boas emoções, ou mesmo apenas algumas emoções "normais", elas instintivamente preenchem a lacuna com a negatividade. Não é uma decisão consciente, é um hábito.
Agora, como eu sei disso? Vamos apenas dizer que, depois de fazê-lo por um bom tempo a mim mesmo, de alguma maneira eu cheguei à conclusão de que eu estava fazendo isso. É muito simples. Se você está revivendo as mesmas emoções negativas regularmente e em situações diferentes, então provavelmente você está viciado neles.
Por constantemente criar emoções negativas em si mesmo, dia após dia, semana após semana, ano após ano, você cria as condições que podem levar à dependência externa também.

Por exemplo, algo de ruim acontece com você na universidade ou no trabalho. Então você vai para casa e pensa sobre isso. Agora você se sente ainda pior do que quando isso aconteceu. Então você decide beber uma cerveja ou fumar um cigarro.

A próxima vez que algo ruim acontece, você faz a mesma coisa.
Eventualmente, torna-se um padrão. Evento negativo - o pensamento negativo - emoções negativas - cerveja e um cigarro para matar as emoções negativas. Mas onde está a vida nisso? Isto é vida, ou é meramente existência?
A boa notícia é que tudo isso pode ser mudado. Eu não vou sentar aqui e dizer que darei uma pílula mágica psicológica para resolver seus problemas. Se eu fizesse isso, eu seria um bastardo mentindo e eu encorajo a todos a terem cuidado com pílulas mágicas, sejam químicas ou filosóficas. Elas deixam de fora o fator mais importante - você.

Há muitas coisas que podem ser feitas para melhorar situações como a que acabei de mencionar, mas a principal coisa a lembrar é que você realmente tem que fazer alguma coisa. Caso contrário, não há nenhuma esperança exceto falsa esperança.

Eu falo com um pouco de experiência aqui. Por alguns anos, eu parecia estar vivendo o mesmo dia todos os dias. E como era chato!

Assim, a primeira coisa que você tem a fazer é tomar a decisão de fazer algo e fazê-lo sozinho. Você pode pedir ajuda, você pode ler livros, você pode ler meus artigos, mas se você não fizer alguma coisa, então você não vai chegar a lugar nenhum. Você tem de se comprometer a fazer mudanças internamente.

A segunda coisa que você precisa fazer é observar seus próprios padrões. Dê um passo atrás e observe a si mesmo. Padrões não são fáceis de definir - eles são a causa e efeito no elo da cadeia de relações sob todos os fenômenos que impactam você. Isso inclui as suas sensações, suas emoções, o tempo, outras pessoas e o que elas dizem ou fazem, seus arredores, a poluição, se você se exercita ou não, o que você come, seus pensamentos, suas crenças, as imagens que flutuam em sua mente tudo dia, e muitos outros fatores.

A terceira coisa que você tem é que aprender a quebrar o padrão e fazer isso de forma consistente. Eventualmente, hábitos negativos atrofiam e os novos tomam o seu lugar. Claro, isso não é fácil se você foi condicionado a si mesmo em padrões negativos durante anos. Mas eu definitivamente sei que é possível, porque eu fiz isso. É uma luta. Cada dia é um novo dia de luta para superar seu passado "eu". Você tem que encontrar o espírito de luta dentro de si mesmo para ajudá-lo a continuar e superar a negatividade.
Então, como podemos quebrar os padrões negativos e vícios emocionais? Aqui estão algumas idéias:

Neigong. Isto é o que eu considero ser a maior forma de "meditação". Tai chi é uma forma de neigong. O termo neigong é chinês, é claro, e significa "trabalho interno". Inclui respiração, fortalecimento e movimentos relaxantes, sentir seu próprio corpo e as emoções mais profundamente, e assim por diante ... neigong chinês é o que eu recomendo acima de tudo, mas qualquer tipo de prática meditativa pode ser benéfica. Especialmente qualquer coisa que lhe permitirá "deixar ir".

Exercício. Qualquer tipo de exercício vigoroso pode nos ajudar a mudar o nosso estado interno. Então, quando você sentir que está entrando em um loop negativo, levante-se e faça algo vigoroso. Mesmo 15 minutos podem fazer uma enorme diferença. 

Programação neurolinguística, ou PNL. Esta é apenas uma maneira de olhar para seus próprios pensamentos - que lhe dá uma forma de analisar e organizá-los. Não é para todos, mas pode definitivamente ser útil.

Sair e socializar ou ir a algum evento e não fazê-lo sozinho, é claro. Isto pode tirar sua mente dos pensamentos negativos. Às vezes o que nós precisamos é de pessoas novas em nossas vidas, e não as mesmas pessoas que nos tornaram negativo em primeiro lugar.



Elimine suas âncoras negativas. O que isto significa é que deverá parar de fazer as atividades que colocam você em estados nos quais você não quer estar. Um grande exemplo é desligar a TV e sair do sofá.

Se você cria um hábito de jantar e, em seguida, sentar no sofá e assistir TV, o que se pode esperar? Você pode esperar ter os mesmos pensamentos que você teve da última vez que se sentou no mesmo sofá e assistiu televisão. O sofá torna-se uma âncora que puxa para baixo o seu humor. Eventualmente, apenas sentar fará você se mudar para o lado negro.

Tente todos os itens acima, tente outros em momentos diferentes, experimente suas próprias idéias. E o faça muitas vezes. Um dos meus livros favoritos, o Tao Te Ching, diz que "uma árvore gigante cresce a partir de um pequeno broto."  é verdade! Nós todos temos que começar em algum lugar no caminho para a auto-realização.

Eu gostaria de terminar este post com algumas perguntas que podem fazê-lo pensar de forma diferente o resto do dia:
 
- O que você diz a si mesmo durante todo o dia? 
O que você pensa sobre si mesmo? 
Que palavras você usaria para descrever a si mesmo? 
Como você imagina seu futuro? 
Como você se tornou quem você é? 
Como você seria diferente se você fizesse alterações agora? 
Sua vida seria mais feliz ou mais triste?"

Vícios de relacionamentos




Você já ouviu ou disse alguma destas frases a alguém que você ama?
Sem você eu não sou ninguém.
Se você se for, eu vou morrer.
Você é a tampa da minha panela.
Você é minha cara metade.
Você é a minha alma gêmea.
E aí? Como funciona essa grande confusão? Vou falar sobre essas frases e sobre esses vínculos doentios nos relacionamentos.
Hoje em dia, as pessoas casam e se separam; as pessoas namoram e se estressam… As pessoas estão carentes, em conflito, em prantos. O que mais recebemos por e-mail no Luz da Serra é pedido de ajuda para recuperar ou para conquistar um grande amor, e para lidar com um grande conflito no relacionamento.
Para entender melhor, precisamos voltar um pouco e perceber que a grande lambança acontece quando transferimos para o outro a responsabilidade de suprir aquilo que nos falta. Ao acreditar que alguém pode suprir nossas necessidades, começa a confusão. Todos nós já fizemos isso ou vamos fazer.
Esse comportamento nos leva a criar vícios de relacionamentos, que destroem tudo, apesar de estarem presentes em tudo, não em relacionamentos conjugais apenas, mas em qualquer tipo de relacionamento.
Muitas pessoas me perguntam se eu não vou preparar algo especial sobre os relacionamentos homossexuais. Eu não faço distinção, pois todos nós somos seres humanos, não importa se é homo ou hétero; para mim, é tudo a mesma coisa. Eu atendi por muitos anos em consultório, e eu posso dizer que, entre todas as pessoas que eu atendia, de 10 a 15 por cento das pessoas eram homossexuais, e o atendimento era o mesmo. As coisas são as mesmas, a vida é a mesma e está tudo certo. Por isso, eu não separo, e o que eu falo vale para qualquer pessoa, pois estamos todos ligados energeticamente uns aos outros, somos um! Nós estamos falando aqui de vida, emoções, sentimentos e pensamentos, de oportunidades de melhoria, de desenvolvimento pessoal e os processos são os mesmos para todas as pessoas.
vicio_de_relacionamento_3Chantagem emocional e vícios emocionais
Por que as pessoas têm esse costume terrível de dizer para o outro “Sem você, eu não sou ninguém”, “Se você se for, eu vou morrer”, “Você é a tampa da minha panela”, e assim por diante? Essa é a demonstração de uma mistura nociva: o melô dos obsessores e os relacionamentos.
Tem uma cantora antiga chamada Rosana (não sei quantos anos você tem, mas se você tiver menos de 30 anos provavelmente não vai de se lembrar dela), e ela era um fenômeno há um tempo. Ela cantava muitas músicas que falavam sobre vícios de relacionamentos. Outra cantora deficiente visual, chamada Katia, fez muito sucesso numa novela antiga. Cantava: “não está sendo fácil viver assim, você está grudado em mim”. Esse também é o melô do obsessor.
É isso o que a gente começa a questionar. Por que há tantas pessoas hoje se decepcionando nos relacionamentos, nos casamentos e nas parcerias, sejam elas quais forem? As pessoas não estão percebendo que elas estão caindo na grande cilada do vício de relacionamento.
Esses vícios são muitos simples e funcionam da seguinte forma: imagine que você tem medo da solidão e começa a se relacionar com alguém. No início do relacionamento, sente que a solidão passou porque você se sente completo com aquela pessoa, em plenitude, porque fechou um círculo (por isso que falam “tampa da panela”, “cara-metade” – dá essa ideia de fechar, completar, e existe essa sensação de que uma pessoa completa a outra). Se a outra pessoa vai embora, você “morre”, cai na solidão outra vez, sente-se carente, sofre. Isso mostra que existe uma relação de dependência da outra pessoa para me sentir completo. E dependência remete a um vício.
Sem essa outra pessoa, você é incompleto, certo? Errado. Vamos esclarecer esse ponto: você não é um ser incompleto. Você só se sente assim porque se permite acreditar nisso. Só tem um jeito de ser feliz com alguém: ser completo. E quando outro alguém chegar completo na sua vida, vocês poderão se unir e se tornar melhores juntos. Se o relacionamento terminar, você continua sendo um ser completo, assim como o outro.
vicio_de_relacionamento_2O que são os vícios do relacionamento? Como eles surgem?
O vício de se relacionar com outra pessoa consiste em procurar nela o que está faltando em si mesmo. Você tem medo e procura elementos no outro que façam o seu medo desaparecer, e, quando o outro vem, você se consome. Se ele for embora, o seu medo voltará.
Então, por medo de que o medo volte e, para que o relacionamento não acabe, você começa inconscientemente a prender, bloquear, trancar, manipular o outro para que ele faça aquilo que você quer para que você continue se sentindo pleno.
Ao invés de você dedicar atenção para encontrar a sua cura, o seu equilíbrio, a sua paciência, a sua alegria e autoestima, você transfere tudo isso para o outro. A sua autoestima depende do outro, assim como a autoconfiança, o fim da solidão, da carência, da rejeição, do abandono.
Então, você toma conta do outro para que ele preencha o vazio que existe dentro de si, e quando ele começa a se comportar de um jeito diferente do que você estava acostumado (porque as pessoas mudam), começa também a briga e as cobranças – “você não faz mais isso”, “estou me sentindo carente, estou me sentindo traído(a), perdido(a), longe”, “você só trabalha/faz isso e se esquece de mim”, “você só fica com as suas amigas/os seus amigos”, “você só quer jogar futebol”, “você só quer saber de passear”. Você pensa que a pessoa escapou de você, e aquele sentimento de plenitude que havia foi embora, porque era a pessoa quem te alimentava e não você mesmo que se alimentava.
É assim que criamos os vícios de relacionamento, que consiste nessas cobranças para obrigar a outra pessoa a voltar a ser aquilo que era antes e te abastecia. O erro é todo seu porque está pedindo para o outro cumprir uma função e uma responsabilidade que é sua. Dessa forma, você destrói o relacionamento.
vicio_de_relacionamento_1
Livre para amar
Em qualquer relação, é preciso haver um amor livre, sem cobranças como: “ah, você não me ligou”, “você nunca me dá atenção”. Isso tudo é demonstração de carência e gera conflitos no relacionamento.
Você pode me dizer: “Ah, Bruno, então não é para eu ter ciúmes? Você está me dizendo que não devo controlar o outro?” Sim, estou dizendo que é para você aprender a lidar com isso. Entenda que ninguém pode completar você, e é por isso que os relacionamentos dão errado, porque você está transferindo para o outro a responsabilidade de curar a sua carência, tristeza, rejeição, mágoa, baixa autoestima, medos. Nós fazemos isso em qualquer relação e isso é a ruína.
Por exemplo: eu atendi um homem em consultório, por muitos anos, que só procurava um perfil definido de mulher para se relacionar. Quando ela começava a engordar, ou quando começava a mudar o visual (porque as pessoas vão envelhecendo), esse homem já não queria mais estar no relacionamento e começava a brigar com sua parceira. Através do processo terapêutico, ele descobriu que projetava nas mulheres a necessidade de ser visto pela sociedade como alguém que só namorava as mulheres mais lindas do mundo. A preocupação dele era com o que os outros iriam pensar a seu respeito.
À medida que ele começava a achar que a mulher dele estava ficando feia por causa de detalhes fúteis, ele passava a cobrar da mulher que ela ficasse mais bonita, que mantivesse seu peso ideal, que ficasse impecável para que ele pudesse sentir que tinha ao seu lado a mulher mais bonita do mundo. Era uma sensação que ele tinha que satisfazer por causa da sua baixa autoestima. E, dessa forma, ele nunca será feliz com ninguém.
vivios_de_relacionamento_4Mude a direção do seu olhar – para dentro de si
Os vícios de relacionamento nos levam a buscar em outra pessoa aquilo que queremos preencher em nós. Se você perceber que está cobrando algo do seu marido, da sua esposa, do seu namorado, da sua namorada, que ele(a) se comporte do jeito que você quer, pare um pouco e faça uma reflexão: “por que eu estou fazendo essa cobrança?”, “por que eu quero que ele/ela aja assim?”.
E, acredite, em grande parte dos casos, você vai querer que o outro se comporte de um jeito te faça sentir-se seguro, confiante e firme. Em 100% dos casos, você transfere para o outro a responsabilidade de sentir-se pleno, feliz. É isso o que destrói qualquer tipo de relacionamento. Preste muita atenção nisso: você só será feliz e pleno, e terá alta autoestima em um relacionamento se você for feliz e pleno e tiver alta autoestima antes.
Portanto, busque sua autoestima, sua felicidade e sua plenitude – e isso tudo é treino! Se você não treinar para alcançar esses estados, não terá felicidade, nem autoestima e plenitude.
Se você tiver lido esse conteúdo com bastante atenção, você viu que é um grande desafio largar os vícios de relacionamentos, mas temos outros conteúdos e vídeos para te ajudar com esse assunto. A gente nasceu para andar ao lado de uma pessoa especial, mas não para viver grudado nela. Lembre-se disso!
Um grande abraço e até a próxima,
Bruno J. Gimenes e Redação Luz da Serra
Fonte: life-sucks