domingo, 19 de outubro de 2014

DESPERTANDO O CONHECIMENTO - A Energia Kundalini e a Dança do Ventre

A Energia Kundalini e a Dança do Ventre




Kundalini vem do sânscrito kundal e significa “aquela que está enrolada”, termo originário da Índia hinduísta, sendo uma metáfora de serpente.

É uma espécie de energia nuclear, telúrica e ígnea, uma energia ctônica, da terra, que tem sua correlação (projeção) adormecida na base da coluna vertebral do ser humano. Trata-se de um conceito que desde o século passado vem sendo discutido no Ocidente por psiquiatras, médicos, físicos, professores e pesquisadores. O termo para a área médica e psicológica representa um tipo de energia psicoespiritual fundamentado na expansão da consciência.

Os centros de energia (chakras) estabelecem o caminho para a energia primária kundalini percorrer o corpo. Principalmente através de alguns movimentos da Dança do Ventre é manipulada uma suave quantia dessa energia, mesmo que não haja uma intenção explícita para isso.

Pelo fato da energia kundalini se encontrar adormecida na base da coluna vertebral, na literatura clássica, é geralmente representada por uma ou duas serpentes enroladas nesta região e, também, por ser a serpente um animal que rasteja sobre a terra.

Na realidade, seu percurso é complexo, ondulado, em ascensão pela espinha dorsal ou por dentro do corpo, saindo de sua base através de dois canais (nadis) ida e pingala, que se cruzam no canal do meio sushumma. Muito semelhante ao símbolo da medicina, o caduceu, com duas serpentes ascendendo e cruzando um mastro intermediário, lembrando uma molécula de DNA. Sushumma é o canal que liga este chakra (básico) aos demais pelo centro do corpo.


Durante muito tempo, em razão das culturas orientais e tradições esotéricas terem dominado o tema, com crenças no misticismo e misturas confusas de conceitos, superstições primitivas e dogmas, a classe científica ocidental não aceitou o processo da kundalini como um fenômeno relevante. Todavia, em meados dos anos 70, com o aumento do interesse ocidental pelas práticas orientais de autoconhecimento e o crescente número de pessoas no Ocidente, praticantes de meditação, tendo a mesma experiência psicofísica descrita nos modelos tradicionais destas tradições, os cientistas viram-se obrigados a estudar o “novo” fenômeno social.

Tal evento provocou mudanças no pensamento científico, possibilitando a comparação destes modelos clássicos e dos contextos clínicos, pois a uniformidade das descrições em ambos os processos, além de evidente, facilitava o trabalho dos pesquisadores, que passaram a considerar os componentes fisiológicos dos aspectos comuns da “nova” pesquisa.

Gopi Krishna foi um dos grandes responsáveis pela popularização da kundalini no Ocidente, ao mostrar que tanto cristãos, como sufis e adeptos do Yoga e da Meditação, passavam pelas mesmas experiências psicofísicas. Outros nomes pioneiros, cada um em sua área, também contribuíram para o aprimoramento do mapeamento da atividade energética no corpo humano, facilitando o entendimento científico sobre a kundalini, entre eles: Dr. Lee Sannella (psiquiatra); o pesquisador Itzhak Bentov (experiências com balistocardiógrafo e sonda capacitadora em praticantes de meditação); Dr. Hiroshi Motoyama  (desenvolvimento da AMI Machine, capaz de diagnosticar os níveis de energia nos chakras e meridianos do corpo), entre outros.

Carl Gustav Jung também estava familiarizado com os estudos sobre a kundalini. Em suas correlações, Jung considerou a kundalini como sendo a força da psique, importante no processo de individualização. Obviamente, nem toda consideração junguiana é totalmente aceita pelos praticantes da arte-ciência da kundalini, embora encarem com respeito os esforços da visão junguiana e o motivo é bem simples: o crescimento dentro da individualização não é necessário ser acompanhado pelo “nascimento” da kundalini no sentido clássico, mesmo que ele seja rodeado por “transformações poderosas” da energia psíquica.

Mesmo assim, os praticantes de meditação têm demonstrado, dentro dos laboratórios, que condições, como estados transcendentais da consciência, podem ser monitoradas através de máquinas e computadores, leitores de dados de ondas cerebrais. Assim sendo, pode ser simples questão de tempo para que o refinamento dos nossos aparelhos de medição e programas de computador nos dê um meio eficaz de “provar” os efeitos da kundalini na mente e corpo humanos, para deleite dos céticos.


Apesar disso, aqueles que têm experimentado a kundalini continuarão a falar sobre suas experiências, e com o tempo quebrará as atuais barreiras sobre o tema.