quarta-feira, 20 de agosto de 2014

SAÚDE E EQUILÍBRIO - Pressão alta: um guia completo para você se cuidar

Pressão alta: um guia completo para você se cuidar


A maioria das pessoas já ouviu falar sobre a hipertensão (ou pressão alta), mas poucas sabem de fato o que representa a doença e quais riscos ela oferece.
A pressão alta ou hipertensão é uma doença crônica que não tem cura, embora possa ser perfeitamente controlada, principalmente quando diagnosticada precocemente, conforme destaca Roberto Franco, presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão. “Além disso, ela é considerada importante fator de risco para doenças cardiovasculares, AVC e insuficiência renal”, diz.
Normalmente, o sangue bombeado pelo coração para irrigar os órgãos ou movimentar-se exerce uma força contra a parede dos vasos arteriais e arteríolas.
“Quando a força que esse sangue precisa fazer está aumentada, isto é, a parede desses vasos oferece resistência para a passagem do sangue, dizemos que há hipertensão arterial ou, popularmente, pressão alta”, explica o médico Franco.
A doença pode ser de dois tipos, conforme destaca o médico:
Hipertensão primária ou essencial: a qual normalmente não tem causa definida e, sim, uma multiplicidade de fatores atuantes, sendo um deles o componente genético.
Hipertensão secundária: quando é decorrente de uma causa conhecida, como doença renal, tumor de suprarrenal etc.
“Ambas as formas da doença podem acometer idosos, adultos, jovens e crianças”, destaca Franco.

Breve panorama da população com pressão alta

De acordo com estimativas da Sociedade Brasileira de Hipertensão, a hipertensão arterial atinge cerca de 30% da população brasileira, chegando a mais de 50% na terceira idade.
“Além disso, a doença é responsável por 40% dos infartos, 80% dos acidentes vascular cerebral (AVC) e 25% dos casos de insuficiência renal terminal – graves consequências da pressão alta que podem ser evitadas, desde que os hipertensos conheçam sua condição e mantenham-se em tratamento”, destaca Roberto Franco.
“Esse é um dos grandes problemas da hipertensão: por ser uma doença assintomática, menos de 20% dos brasileiros hipertensos, por diferentes motivos, tendem a abandonar o tratamento – tanto a modificação dos hábitos de vida, quanto a tomada da medicação propriamente dita”, ressalta o médico.

Hipertensão no homem X hipertensão na mulher

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Foto: Thinkstock
Roberto Franco explica que o risco do homem é maior porque a hipertensão aparece mais precocemente, enquanto na mulher o aparecimento é mais tardio, após o climatério (a fase em que ocorre a transição do período reprodutivo ou fértil para o não reprodutivo, devido à diminuição dos hormônios sexuais produzidos pelos ovários). “O sistema hormonal da mulher a protege mais”, diz o médico.

Principais causas da pressão alta

Na maioria das vezes não é possível saber com precisão a causa da hipertensão arterial. “Mas sabemos que muitos fatores podem ser responsáveis”, destaca Franco.
Abaixo, o médico cita esses fatores relacionados à hipertensão arterial:
Fatores Externos
  • Hereditariedade: a pessoa recebe a pré-disposição, que pode apresentar-se em vários membros da família.
  • Idade: o envelhecimento aumenta o risco em ambos os sexos.
  • Raça: pessoas da raça negra são mais propensas à pressão alta.
  • Peso: a obesidade é um fator de risco.
Fatores Internos
  • Falta de exercício: a vida sedentária contribui para o excesso de peso.
  • Má alimentação: pouco consumo de frutas e verduras e aumento do consumo de comida rápida.
  • Sal em excesso: pode facilitar e agravar a hipertensão arterial.
  • Álcool: o consumo exagerado de álcool compromete a pressão arterial.
  • Tabagismo: é um fator de risco das doenças cardiovasculares.
  • Estresse: excesso de trabalho, angústia, preocupações e ansiedade podem ser responsáveis pela elevação da pressão.

Sintomas da hipertensão

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Foto: Thinkstock
Roberto Franco explica que a hipertensão é uma doença assintomática, ou seja, não tem sintomas. “No entanto, quando os indivíduos apresentam um quadro agudo mais grave da doença, como nos casos de urgência e emergência hipertensiva, pode apresentar dores de cabeça, vômito, dispneia ou falta de ar, agitação e visão borrada, decorrência de lesões que afetam o cérebro, os olhos, o coração e os rins”, destaca.
Se não tratada, destaca o médico, a hipertensão pode causar complicações cardiovasculares, como derrame ou acidente vascular encefálico, infarto, insuficiência cardíaca (aumento do coração) e angina (dor no peito), insuficiência renal ou paralisação dos rins e alterações na visão – que podem levar à cegueira.

Como tratar a pressão alta?

Roberto Franco explica que, a menos que haja uma necessidade evidente para uso de medicamentos imediato, como no caso de pacientes com níveis de pressão arterial acima de 180/110 mmHg, principalmente nos casos de urgência e emergência hipertensiva, a maioria dos pacientes deve ter a oportunidade de reduzir sua pressão arterial através de tratamento não farmacológico. “Ou seja, por meio de medidas gerais de reeducação, também conhecidas como modificações no estilo de vida, que incluam a prática de exercícios físicos, alimentação balanceada, redução do consumo de sódio e medição regular da pressão arterial”, destaca.
“Quanto ao tratamento medicamentoso, seu objetivo é reduzir a resistência vascular periférica, promovendo vasodilatação”, acrescenta o médico Franco.

Como medir a pressão arterial corretamente?

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Foto: Thinkstock
No site da Associação Brasileira de Hipertensão encontra-se um guia completo de como medir a pressão arterial corretamente em casa. Acesse o link e siga atentamente as instruções!

Como prevenir a pressão alta

Abaixo, Roberto Franco, presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão, destaca medidas que podem ser tomadas no sentido de prevenir a hipertensão (pressão alta):
  1. Meça sua pressão arterial regularmente.
  2. Tenha uma alimentação saudável.
  3. Pratique atividade física pelo menos 5 dias por semana. Faça caminhadas, suba escadas em vez de usar o elevador, ande de bicicleta, nade, dance etc.
  4. Mantenha um peso saudável. Também é importante avaliar a medida da circunferência abdominal (cintura) que, no homem, não deve ultrapassar 102 cm e, na mulher, 88 cm.
  5. Diminua a quantidade de sal na comida. Use no máximo 1 colher de chá para toda a alimentação diária. Não utilize saleiro à mesa e não acrescente sal no alimento depois de pronto.
  6. Diminua o consumo de bebidas alcoólicas.
  7. Não fume! Depois da hipertensão, o fumo é o principal fator de risco de doenças cardiovasculares.
  8. Controle o estresse (nervosismo). Tente administrar seus problemas de uma maneira mais tranquila. A “arte de viver bem” é enfrentar os problemas do dia a dia com sabedoria e tranquilidade.
  9. Siga as orientações do seu médico. Elas contribuirão para o controle da pressão arterial e para a diminuição dos riscos de doenças cardiovasculares.
  10. Se utilizar medicamentos, tome as medicações conforme a orientação médica. Se tiver qualquer dúvida sobre o medicamento, converse com seu médico, compareça às consultas regularmente e não abandone o tratamento.

A importância da alimentação para combater a pressão alta

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Foto: Thinkstock
A má alimentação é um dos fatores relacionados à hipertensão. Exatamente por isso reforça-se a necessidade de seguir uma alimentação saudável. Para isso, o médico Franco passa orientações fundamentais:
O que evitar: açúcares e doces, frutas, derivados de leite na forma integral, com gorduras, carnes vermelhas com gorduras aparente e vísceras, temperos prontos, alimentos industrializados que vêm em latas ou vidros, alimentos processados e industrializados como embutidos, conservas, enlatados, defumados, charque.
Preferir: alimentos cozidos, assados, grelhados ou refogados, temperos naturais como limão, ervas, alho, cebola, salsa e cebolinha, frutas, verduras e legumes, produtos lácteos desnatados.
Agora você já tem todas as informações que precisa sobre a hipertensão e já conhece os riscos que essa doença oferece. Por isso, é fundamental evitá-la, tentando ao máximo seguir todas as medidas preventivas citadas acima.