quarta-feira, 20 de agosto de 2014

SAÚDE E EQUILÍBRIO - Hipoglicemia Reativa X Depressão e Síndrome do Pânico

Hipoglicemia Reativa X Depressão e 
Síndrome do Pânico
Sintomas: Cansaço repentino, depressão, apatia, taquicardia, insônia, hipersensibilidade, choro por qualquer coisa, medo e, aparentemente, tudo isso, sem motivo… Pensa-se imediatamente em depressão. O medicamento é fácil e direto: antidepressivo e/ou ansiolítico. Certo? Não! ERRADO!
Um diagnóstico equivocado de Depressão ou de Síndrome do Pânico, devido à semelhança dos seus sintomas com os de uma Hipoglicemia Reativa, pode induzir a um tratamento equivocado de pacientes que têm este problema endócrino com medicamentos antidepressivos, levando a um agravamento do quadro de saúde dos mesmos.
Em um texto sobre Síndrome do Pânico publicado na edição nº 98 da revista Viva Saúde , diz-se que o tratamento atual consiste no uso de medicamentos antidepressivos e terapia cognitiva comportamental. No entanto, o que pode ocorrer com muitos indivíduos que apresentam os mesmos sintomas é uma alteração no metabolismo da glicose chamada hipoglicemia reativa.
Ao olhar mais atentamente, pode-se rastrear o histórico desse paciente e observar outras tantas facetas que nos alertam para algo mais. “Aparentemente” não há motivo real para esta pessoa estar deprimida. Não houve perda de emprego, morte na família, crise conjugal, tédio pela vida, etc, etc… Uma varredura geral e minuciosa na vida dessa pessoa, casos hereditários… e … nada…
Observa-se então o estado de saúde e a alimentação. E como não há divisão entre mente-corpo, deve-se olhar os dois lados. Então, pode-se constatar que esta pessoa vem ingerindo muito açúcar, muito carboidrato numa quantidade muito maior do que usualmente fazia. A partir daí, chega-se a um diagnóstico incrível: sintomas de uma hipoglicemia!
Curiosamente, os mesmos sintomas de uma depressão ou síndrome do pânico, só que com uma grande diferença: a maneira como cada um é tratado.
Se o diagnóstico fosse de uma depressão, essa pessoa fatalmente desenvolveria o diabetes, e este é irreversível. Já o hiperinsulinemismo ou até mesmo o pré-diabetes pode ser facilmente revertido, simplesmente através de uma alimentação balanceada.
Segundo a Psicoterapeuta Marilena Henriques, que nos últimos 20 anos de clínica deparou-se com diversos pacientes neste estado que chegavam a seu consultório indicados até por psiquiatras, para eles iniciarem a terapia, eram sempre medicados com antidepressivos ao invés de serem solicitados pelo médico exames de dosagem glicêmica e insulínica.
Pacientes que, infelizmente, permaneceram por muito tempo sem um diagnóstico exato e preciso e já estavam diabéticos, devido ao diagnóstico tardio. Se o hiperinsulinemismo for detectado logo no início, ainda existe reversão para o quadro, através de uma dieta balanceada e da adoção de hábitos de vida saudáveis.
Mas o que é hipoglicemia? Curiosamente, ela confrontou alguns médicos, não endocrinologistas, que desconheciam esse funcionamento do pâncreas e relacionaram até uma hipo (=diminuição da quantidade de açúcar circulante no sangue) como uma insuficiência de açúcar. Portando, supunham que essa pessoa deveria ingerir mais açúcar.
Os carboidratos constituem a principal fonte de energia para o corpo humano, sendo a glicose o combustível preferido da maioria das células. Os carboidratos variam em tamanho de sua estrutura e velocidade de absorção. Aqueles que formam grandes estruturas – como os carboidratos presentes em cereais integrais, vegetais e leguminosas – são absorvidos de forma mais lenta; enquanto os que estão sozinhos ou se ligam a outro carboidrato, possuem uma alta velocidade de absorção, como é o caso daqueles encontrados no mel, açúcar, melaço, doces, pães brancos e arroz branco.
Ao ingerir uma refeição composta majoritariamente por carboidratos simples (presentes no mel, açúcar, doces, refrigerantes), estes irão chegar de forma extremamente rápida à corrente sanguínea, o que provoca a elevação dos níveis de glicemia. O pâncreas, ao detectar o aumento de glicose, secreta uma enorme quantidade de insulina para tentar conter a hiperglicemia. Dessa forma, os níveis de açúcar caem muito rapidamente, podendo criar uma hipoglicemia reativa. Os sintomas de hipoglicemia reativa são muito semelhantes aos do Transtorno do Pânico: a pessoa sente palpitações, tremores, falta de ar, sudorese, sensação de desmaio e calafrios.
Assim, além de se evitar o consumo de alimentos ricos em açúcar e pobres em fibras, deve-se preferir os nutrientes que possuem grande potencial na modulação dos mecanismos da insulina, como os minerais cromo, vanádio e zinco, além de compostos bioativos presentes na canela e no chá verde. Alguns exames podem ainda ser solicitados para complementar o diagnóstico de hipoglicemia reativa, como Teste Oral de Tolerância à Glicose e o Índice Homa. Sendo assim, uma intervenção nutricional possui forte impacto no controle da hipoglicemia reativa.
Caso a pessoa continue consumindo açúcar na mesma “voracidade”, o pâncreas,  por “cansaço”, para de trabalhar, de produzir insulina e de dissolver esse açúcar. A pessoa então torna-se diabética e precisa tomar insulina.
Os sintomas descritos acima e mascarados como os de uma depressão ou de uma síndrome do pânico, na verdade são os sintomas do famoso “Sugar Blues” descritos no livro de William Dufty (versão online disponível… ).
A psicoterapeuta Marilena Henriques conheceu bem de perto tais sintomas. Há 22 anos, uma vítima dessa estranha disfunção, quase foi também, erroneamente como muitos, diagnosticada como tendo depressão. Numa rápida equilibrada na alimentação, foram-se embora todos os sintomas.
Curiosamente, a clínica permitiu que ela ajudasse vários pacientes com a mesma síndrome e que, logicamente, tiveram sua permanência muito rápida nessa terapia desnecessária.
É importante observar que sintomas como: desânimo e cansaço (facilmente confundidos como depressão) poderão ser sintomas, também, de um hipotireodismo.Transtornos de uma mau funcionamento da tireóide devem ser igualmente diagnosticados por um endocrinologista. Portanto, nem tudo é, puramente, de fundo emocional.
Isto serve como um alerta no momento em que, evidentemente, a depressão é um dos males do nosso século e que surge com muita freqüência. Mas… será tudo mesmo depressão?

Fontes:
- See more at: http://diabeticosaudavel.com.br/blog/hipoglicemia/hipoglicemia-reativa-x-depressao-sindrome-panico#sthash.axfXXyLO.dpuf