quarta-feira, 18 de junho de 2014

DESPERTANDO O CONHECIMENTO - Cabala do Dinheiro

Cabala do Dinheiro
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Aqui está uma tradição que já existe na Espanha desde o século XII.

Para quem é judeu, o tema não apresenta tanta novidade. Mas virou alvo de curiosidade global desde que atraiu estudiosas com a fama de Madonna, Demi Moore e Paris Hilton. 

Veja como essa sabedoria antiga pode ajudar você também a cuidar melhor do seu bolso.

A palavra kabbalah vem da Torá, o livro sagrado da religião judaica, e nos estudos cabalísticos ela significa receber conhecimento. É uma maneira antiga de olhar, interpretar o mundo e compreendê-lo melhor em todos os aspectos. 

Para o rabino e líder espiritual da Congregação Judaica no Brasil (CJB), Nilton Bonder, 47, ela é a capacidade de usar todas as faculdades humanas - intelectuais, sensitivas e intuitivas - para entender melhor a realidade. 

"Basicamente é como uma interpretação. Se você ler um texto rapidamente vai captar uma mensagem mais objetiva. Mas se o fizer com o olhar psicanalítico, verá que tem outras forças por trás", avalia Bonder. A cabala pode ser aplicada ainda ao plano do sustento - o dinheiro. Porém, ele ressalta que não existem regras ou mesmo um manual que ensine a enriquecer por meio da cabala. "Embora isso seja muito oferecido por aí, está dentro do universo do charlatanismo", comenta. 

"Ela é apenas um meio de reflexão, e não uma coisa mágica, um 'ocus pocus' que vai mudar tudo de repente", acrescenta.

Quem se aprofunda no assunto percebe que dá para tirar algumas vantagens. Para Bonder, esse conhecimento assemelha-se a um farol: quanto mais longe ele iluminar, menores as chances de o motorista atropelar um animal na pista. Segundo ele, o pensamento cabalístico ajuda a ter mais qualidade de vida, inclusive nos planos emocional e material.

"A idéia é utilizar esse conhecimento para enxergar as coisas com mais clareza, assim você tem melhores possibilidades de criar estratégias que possam lhe ajudar", observa o rabino.

As camadas da realidade

De acordo com Bonder, que também escreveu "A cabala do dinheiro" (Imago, 160 págs.), a cabala subdivide o universo do dinheiro em quatro planos:
Físico: abrange todas as necessidades básicas em que a idéia principal é usar o elemento dinheiro para suprir suas próprias necessidades ('me dá que eu preciso', 'eu quero comer', 'tenho que me garantir', etc.).

Emocional: já não é mais tão claro se você quer o recurso para obter coisas para você ou para outra pessoa (namorado, amante, família), seja em forma de presentes ou de responsabilidade. É quando doar se torna mais importante do que oferecer a você mesma.

Intelectual: está na dimensão da estratégia mental. É quando você quer o dinheiro não só para obter coisas no mundo físico e no emocional, mas para investir em coisas maiores ou valores nos quais acredita. Por exemplo: os impostos e as ações comunitárias.

Espiritual: quase que em oposição ao mundo físico, este plano se sustenta quando você abre mão do dinheiro para praticar atos caridosos. A gratificação vem no lado espiritual, simplesmente por ajudar outra pessoa.

Todas essas camadas devem estar equilibradas. Se uma delas estiver desproporcional, a outra vai se enfraquecer, conseqüentemente.

Combata a escassez

"O caminho mais longo é o que vai do coração até o bolso", diz uma antiga tradição judaica. Na cabala, todo o procedimento que você tem com o dinheiro produz uma certa energia - ou influência. 

"Quando alguém trabalha e precisa pagar o imposto de renda, por exemplo, normalmente tem uma relação ruim com isso, pois não acredita que ele será usado para o bem das pessoas, imagina que vai para a corrupção", destaca Bonder. Ele ensina que, quando pensamos assim, enviamos juntamente com a quantia uma energia truncada, o que acaba gerando resultados desfavoráveis. Para o cabalista, é preciso prestar mais atenção nas nossas justificativas uma vez que, na camada física, estaríamos constantemente querendo segurar o que temos. "Você precisa perceber o quanto disso é uma desculpa para o seu desejo de não dar. E quando fazemos isso, parece que estamos sendo espertos, mas não. O dinheiro está sendo mal aplicado em outra camada. E mesmo que você compre uma casa e vire um bem, a má qualidade de vida no plano intelectual vai ter custos para você que serão bem mais difíceis de consertar." 

Por outro lado, quem trabalha demais no plano físico para adquirir mais segurança e não dá ao filho a atenção de que ele necessita, cria uma carência muito grande em outro plano. "Surge um momento em que você terá que tirar o dinheiro que concentrou naquela camada para recolocar no nível emocional - como pagar sessões de terapia para o filho. E isso, de fato, irá custar mais caro", avalia o rabino.

COMO EXERCITAR A FILOSOFIA DA BOA FORTUNA
O rabino Nilton Bonder - que já conquistou mais de 500 mil leitores pelo mundo afora, inclusive a cantora Madonna - dá algumas dicas para as leitoras de "UMA" a administrarem melhor suas finanças:

- Crie uma consciência: sente-se e escreva num pedaço de papel cada um dos quatro planos (físico, emocional, intelectual e espiritual).

- Nomeie todas as áreas em que você gasta dinheiro e os ítens que entram em cada plano. (Exemplo: comprou roupa para você - mundo físico; pagou condomínio para a avó - emocional; IPVA, IPTU - intelectual; fez doação - espiritual).
- Observe como está o percentual da distribuição desses níveis (não precisa ser 25% em cada um deles). 

- Certifique-se se essa divisão é um bom retrato de você, o importante é se sentir confortável com ela. 
- Faça mais investimentos nas camadas que estiverem em escassez.

A gorjeta vale a pena

Um outro princípio que ajuda a atrair riqueza, segundo a cabala, é dar gorjetas e presentes, sem alimentar expectativa de retorno. De acordo com o líder espiritual, tudo o que você abre mão para construir.

"É preciso desejar a riqueza para todos e não só para si. Não queira acumular um monte e deixar os outros sem nada.O dinheiro é uma energia que tem de circular"

Uma coisa legal com o outro - por pura vontade e empatia - faz com que se sinta em maior interação com o mundo. 

"Então o universo a acolhe e a gratifica de alguma maneira", realça Bonder.
No entanto, a ganância também é fundamental, observa o cabalista: "Tem que ter vontade de enriquecer, mas não só no plano físico, senão viramos 'pães-duros' e egoístas. É no equilíbrio dos quatro planos que a riqueza deve vir com tudo, para ajudar as pessoas que você gosta e a todos os seres humanos. É uma gentileza ao mundo...". 

E quem tem muito pouco? "Ninguém é tão pobre que não possa doar alguma coisa nem tão rico que não possa receber", relembra Bonder. "Por mais incrível que pareça, não acho que as pessoas pobres deveriam se isentar de impostos, caridade, etc.".

Vários sábios paupérrimos do passado não abriam mão disso, pois já sabiam que exercer a vida em seus quatro níveis ajudava a se equilibrar de novo no mundo das finanças. É uma construção de alma, de caráter, que ninguém pode ficar de fora", pontua.

Sem culpa de enriquecer

A palavra hebraica parnassá quer dizer prosperidade. "É o que todo mundo deveria conhecer na vida", opina a cabalista Adriana Finkelstein,  professora na Escola de Kabbalah de Porto Alegre (RS). Ela esclarece que a fortuna não se resume a dinheiro: 
"É uma parnassá em todos os mundos. A idéia é sempre a causa e o efeito, o mundo físico é uma conseqüência em que você materializa os fluxos divinos". 

Porém, ela observa que quem sente culpa perde a prosperidade: 

"Não é um pecado ser rico. Nenhum patriarca era pobre, Deus deu tudo a eles", relembra. Mas a professora não defende o capitalismo selvagem: "É preciso desejar a riqueza para todos e não só para si. Não queira acumular um monte sozinha e deixar os outros sem nada. 

O dinheiro é uma energia que tem de circular", observa.

CAMINHOS PARA PROSPERAR NA VIDA PRÁTICA
A professora de cabala Adriana Finkelstein ensina o que fazer para você ter prosperidade (parnassá):
- Organize seu dinheiro na carteira: as notas devem ficar abertas. Não as amasse e nunca as jogue de qualquer jeito na bolsa. 

- Coloque junto um elemento de proteção, como a nota de 1 dólar. Ela foi feita por maçons e tem símbolos espirituais que ajudam a proteger contra "olho gordo". 

- Na administração financeira, a gente normalmente anota o que vai gastando no mês. Na cabala se aplica a idéia contrária: escreva numa caderneta as despesas antecipadamente daqui pra frente. Se você tem uma conta para pagar daqui a alguns dias, marque na caderneta, mesmo que ainda não tenha o dinheiro. Ao escrever, você coloca intenção e se comunica com o cosmos. Mas faça isso a lápis - já que a principal substância química dele é o carbono, o elemento químico básíco de tudo o que existe. 

- Seja menos reativa e mais agradecida: se tem que pagar uma conta de luz é porque você a usa. 
- Não deseje nada de graça. Tudo tem seu esforço e não gera sentimento de culpa. 
- No dia em que receber seu salário, estimule a troca no mercado: doe, compre alguma coisa - que pode ser para você ou para outra pessoa. A energia precisa circular. Quem tem uma loja, por exemplo, fica feliz quando vende... 

- Não guarde dinheiro se não tiver um objetivo para ele. Se você ganha e acumula sem uma finalidade, alguma coisa começa a estragar na sua casa - e assim por diante...

- Jamais gaste mais do que você ganha. 
- Afaste a idéia de que o dinheiro está sempre faltando. Ele nunca falta, pois é energia e tem alma.

Use bem o seu tempo

A cabalista também chama a atenção para os objetivos internos de cada um. "É quando você se dá conta de qual é seu serviço aqui, o seu trabalho. Se faz algo de que não gosta, você estará se traindo. No entanto, se usar seu talento, aquilo que realmente lhe faz bem, ninguém vai lhe bater." 

E, ao contrário do que todo mundo diz, ela recomenda que é preciso parar de associar o tempo a dinheiro: 

"Se você se concentrar apenas em ganhar materialmente, vai empobrecer". 

E acrescenta: 

"Conversando contigo nesta entrevista, por exemplo, não estou perdendo meu tempo e nem meu dinheiro. Eu estou prosperando...".
 


Enviado por: Nilda Scaf
Escrito por: Melissa Lenz
matéria publicada na edição nº 73 da Revista UMA
http://revistauma.uol.com.br/Edicoes/73/artigo29594-2.asp

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